sexta-feira, 9 de julho de 2010

A FRAGILIDADE DAS MÁSCARAS



· Juca Chaves, cantor e ator brasileiro por demais conhecido, foi submetido a uma cirurgia dos rins, em meados de 1974. Já na mesa da operação, dirigindo-se aos médicos e enfermeiras que o cercavam, Juca Chaves falou, sorrindo:


- SE VOCÊS FOSSEM FAZER COISA BOA, NÃO PRECISAVAM DE MÁSCARA!



· Um lampejo do Lucas, que disse tudo. O bem não precisava afivelar máscaras. A bondade pode andar por aí, de rosto descoberto. Não tem nada a esconder. A verdade não é medrosa, assustadiça.



A maldade, ao contrário, envergonhada de si mesma, recorre ao expediente de sempre: esconde-se atrás da máscara. A maldade simula, quer salvar as aparências. Não foi assim que procederam Adão e Eva, depois de irem na conversa da serpente, na manhã da criação? Lançaram mão de uma folha de parreira. Ocultaram-se atrás das árvores. Assim mesmo Deus os encontrou. A máscara é sempre frágil, permeável. Não existe crime perfeito, simulação impecável.



Caim, morrendo de inveja e de ciúme de seu irmão Abel, maquinou exterminá-lo. Afivelou a máscara, convidou-o a um passeio pelo campo, ensaiando a inocência mais cristalina do mundo. Depois, jogando fora a máscara, perpetrou o bárbaro homicídio.



Novamente Deus entrou em cena, submetendo a inquérito o primeiro assassino dos anais da História. E Caim, medroso, tremendo, de inocência suja porque banhada de sangue fratricida, tentou esconder-se atrás da máscara da desculpa:


- Por acaso sou eu o guarda do meu irmão?



· Estive pensando hoje nas máscaras que todos usamos, alguma vez, nalgum momento. Pensei na fragilidade infantil da máscara. Pensei no braço da justiça que é mais longo do que se julga. Mesmo que a justiça humana não se faça, mesmo que o olhar humano não consiga desvendar o que a máscara esconde, sempre existe ALGUÉM que vê mais longe, cujo olhar penetra lá dentro, no íntimo das pessoas. Esse alguém que “sonda os rins e lê até mesmo os pensamentos”, segundo recorda a Escritura.


O mal vem sempre de dentro. O exterior é extensão, apenas. A máscara mais bem ajustada deixa fendas, onde a luz do olhar de Deus penetra com facilidade. Mesmo dentro da noite, Deus enxerga, porque sabe de tudo.


Existe alguém, sobre a face da Terra, que nunca usou alguma máscara, maior ou menor, maldosa ou inocente?


Resta um consolo. Para todas as incoerências, infantilidades, egoísmos e pecados existe misericórdia e perdão divino. Pobre de nós se assim não fosse. E vem-me à memória aquela quadrinha que decorei, um dia:


“Rezas da infância, tão puras,


Depois a gente esquece...


Mas o bom Deus, lá no céu,


Inda escuta nossa prece”.

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